segunda-feira, 4 de junho de 2018

“Onda nova” – mortes anunciadas em rede social em Itabuna



Por: Oziel Aragão

O filósofo francês Pierre Lévy já anunciava as consequências dos despejos na rede virtual. “[...] Tudo aquilo que fazemos na internet tem influência na memória coletiva. Todos têm este poder, que vem junto com a responsabilidade." Compartilhando desse pensamento, é possível trazer a luz da reflexão os casos recentes dos assassinatos registrados em Itabuna, Sul da Bahia, nesse inicio do mês de junho de 2018.

Às facções criminosas estão de certa forma “influenciando” seus rivais ou até mesmo membros da mesma facção a fazer as mesmas barbaridades praticadas com suas vítimas. Mortes com muitos tiros, golpes de faca e depois anunciam em grupo de WhatsApp ou no Facebook.

A Polícia Civil e Militar já registraram dois casos entre os dias 1º e 2 de junho. Primeiro, executaram o jovem Ícaro Victor, 22 anos, no bairro Maria Pinheiro. Corpo encontrado com sinais de cortes profundos nas articulações dos braços e nas pernas, além de perfurações por disparos de uma pistola calibre 380. Nesse caso, a referência com rede social foi ainda mais bizarra, os assassinos forçaram a vítima falar sobre a sua morte. “Ô véi, vou morrer aqui, por causa do Máscara (morto no Monte Cristo) lá”, disse Ícaro.

Já no caso do Thársys Pietro Alves dos Santos, 29 anos, os criminosos mataram ele com mais de 10 tiros. Levaram a vítima para a Vila de Mutuns, da mesma forma mandaram recado para os rivais e afirmam que não “vai sobrar ninguém”.

O efeito coletivo é notório, em cada crime praticado, participam sempre mais de um executor. Chamando atenção para termo “vingança”. Levantando a possibilidade dos homicídios praticados não serem mais por uma briga de território do tráfico de drogas, mas pela resposta da morte de um membro de terminada facção.

Já faz tempo que em Itabuna às facções se matam, em alguns casos, o executor se quer conhece quem está matando, apenas cumprindo ordem, quase sempre oriundas de unidades prisionais, segundo a polícia.

Reação

A Polícia Civil, responsável por investigar e elucidar os crimes na cidade reagiu na semana passada. Prendeu a Bacharel em Direito Marjorie Maia Bonfim, apontada pela PC como dona da casa onde parte do armamento e cocaína foi apreendida. Alexandre Pereira, o "Lèo Galego" e Gabriel, também foram presos na mesma operação.

O local servia como um QG (Quartel General) do crime, de lá, conforme a polícia, os ataques eram coordenados e a venda de drogas era organizada.

Para prender os acusados, um total de oito, cinco liberados por sem menores não por falta de provas, a PC começou a monitorar o local, com investigadores passando dia e noite na Travessa Monte Cristo, Pontalzinho. 

Em poder de mandado de busca e apreensão, o chamado bote foi dado, depois das seis da manhã. Encontrando cocaína, uma pistola calibre 380, revólveres e munição. 

Para a polícia, o trabalho foi consistente e o armamento apreendido pode ajudar a elucidar diversos crimes em Itabuna. “Essas armas são emprestadas pela facção, eles querem matar alguém, o comando libera o arsenal e depois essa arma já gira para outro lugar, é uma espécie de rodízio”, revela o delegado André Aragão.

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Um comentário:

  1. Espero que não cressa, que seja apenas uma marola, a polícia começou na resposta, deve continuar. Parabéns pelo texto.

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