Plantão Itabuna - A denúncia é sua, a missão é nossa: Cocaína é a 2ª droga mais oferecida aos caminhoneiros do Brasil

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Cocaína é a 2ª droga mais oferecida aos caminhoneiros do Brasil

Do Tribuna da Bahia



A cocaína é a segunda droga ilícita mais oferecida aos caminhoneiros do Brasil conforme a 7ª edição da pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) que traz dados sobre a rotina, o mercado de trabalho, as dificuldades e as principais demandas desses trabalhadores.
A mais oferecida é, sem duvida, arrebite/rebite que já foi oferecida a 90,6% dos 1.066 entrevistados, em 12 regiões metropolitanas do país, onde o estudo foi realizado entre os dias 28 de agosto e 21 de setembro do ano passado. Divulgada pela CNT, a pesquisa teve como público-alvo caminhoneiros autônomos e empregados de frota. Registra que 40,5% da categoria recebem oferta da cocaína para se manter acordado.
A cocaína é oferecida, livremente, nos postos de abastecimento (38,2%); nas hospedagens para pernoite (3,8%); e nos restaurantes durante as refeições (2,3). Entre as outras drogas apresentadas despontam a maconha (19,8% anfetamina (12,2%) e o guaraná em pó (11,4%). Do total dos entrevistados 24,2% confessaram que já experimentaram a substância ou droga oferecida nesses ambientes; enquanto 75,4 a recusaram.
Sobre o consumo de bebidas alcoólicas durante a jornada de trabalho, apenas 4,2% confirmaram que fazem; enquanto 48,2% garantem que bebem, eventualmente, fora da jornada de trabalho. Quanto à frequência com que levam goles de bebidas à boca 22,1% disseram que o fazem apenas uma vez por dia da semana. A maioria consome álcool apenas nos finais de semana, ou seja, 52,2 %. Em dois dias semana, os números chegam a 12,8% dos entrevistados.
No que diz respeito à alimentação, 50,9% dos caminhoneiros do Brasil relatam que fazem três refeições ao dia; 22,2% fazem quatro; e 19,2 comem duas vezes ao dia. A alimentação é feita 73,8% nos restaurantes e 32,8% preparam as suas próprias comidas.
NORDESTE LIDERA
Em entrevistas realizadas pela Tribuna da Bahia nesta quinta-feira 17, no posto Shell, da Brasilgás, às margens da BR-234, ouvimos distintas opiniões sobre o assunto. Para o caminhoneiro Luiz Gustavo, 41 anos, que estava com uma carga de vergalhão para fazer entrega, em Salvador, o oferecimento das drogas ocorre muito mais nos postos da Região Nordeste.
“Sou de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, e tenho conhecimento de que, aqui, na Região Nordeste, as drogas ilícitas é fato corriqueiro. Principalmente, o arrebite/rebite para cortar o sono e não deixar o cara dormir enquanto dirige”. Ainda segundo o mesmo caminhoneiro quem usa arrebite/rebite fica ‘acordado’, cerca de 36 horas, sob o efeito anestésico da bebida.
Pergunto se depois de uma maratona dessas, o motorista não sente dores nas pernas e um forte cansaço muscular. O entrevistado diz que já ouviu de alguém que usa, que a pessoa não sente nada. “É como se nada tivesse acontecido!”.
Já o motorista Carlos Rodrigues, 55 anos, que trabalha para uma empresa, que recicla pneus, jura que nunca lhe ofereceram essas ‘porcarias’. “Por orientação eu só paro para abastecer, descansar e fazer refeições em locais autorizados pela empresa. Mas, é claro, que tenho conhecimento das coisas que se passam nas rodovias brasileiras. Graças à Deus eu nunca fui abordado!”
PROBLEMAS DA CATEGORIA
A pesquisa da CNT revela ainda que os problemas médicos que afligem os caminhoneiros do Brasil são nesta ordem: pressão alta (18,1%); problemas de visão (17,1%); dores de cabeça (15,2%). Em seguida vem as dores de coluna, pernas e/ou joelhos e estresse. A maioria deles nega que já teve problema psicológico (96,4%). Os que tiveram, relataram que os problemas foram de: depressão (67,9%); irritabilidade constante (31,6%); e baixa auto-estima (18,4%).
Sobre a realização de exame toxicológico 22,2% dos entrevistados disseram que fazem uma vez ao ano. Sobre o uso de medicamento controlado por indicação médica, 20,3% confessaram que utilizam para controlar a hipertensão (56,4%) e a diabetes (18%).
Conheça o perfil dos caminhoneiros
Os dados coletados pela pesquisa da CNT são essenciais para o Sest-Senat (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), que, há 25 anos, capacita e cuida da saúde dos caminhoneiros em todo o país. Em resumo, o perfil dos caminhoneiros entrevistados é este que segue:
MERCADO MASCULINO
O mercado de trabalho dos caminhoneiros é essencialmente masculino. A pesquisa da CNT revela que 99,5% desses profissionais são homens e a média de idade deles é de 44,8 anos. Além disso, eles ganham cerca de R$ 4.600 por mês e trabalham há 18,8 anos. Outro dado relevante é que os caminhões utilizados
por eles têm, em média, 15,2 anos. No universo dos autônomos, 47% adquiriram seus veículos por meio de financiamento. Os caminhoneiros também estão cada vez mais conectados e preocupados com a saúde: 87,7% usam a internet, e 42,6% procuram profissionais de saúde para prevenção.
ROTINA DE TRABALHO
A rotina dos caminhoneiros é intensa. Eles chegam a rodar mais de 9 mil km por mês e a trabalhar 11,5 horas por dia e 5,7 dias por semana. Sobre o mercado, a pesquisa revela que 62,9% desses profissionais consideram que a demanda pelos serviços reduziu em 2018. Entre os pontos negativos da profissão, estão o fato de ela ser perigosa/insegura (65,1%) e desgastante (31,4%) e de o convívio familiar estar comprometido (28,9%). Mesmo assim, os caminhoneiros ainda relatam vários pontos positivos no trabalho, como conhecer cidades e países (37,1%), ter a possibilidade de conhecer pessoas (31,3%) e possuir o horário flexível (27,5%).
PROBLEMAS ENFRENTADOS
Os assaltos e roubos são a maior dificuldade encontrada por 64,6% dos caminhoneiros entrevistados pela CNT. Cerca de 7% deles relataram que já tiveram o veículo roubado pelo menos uma vez nos últimos dois anos. Além disso, 49,5% desses profissionais recusaram a viagem por conta do risco de roubo/assalto durante o trajeto. O custo do combustível aparece como o segundo maior entrave vivenciado pelos motoristas (35,9%). Os trabalhadores também destacam como ameaças à profissão no futuro o baixo ganho (50,4%), a baixa qualidade da infraestrutura (20,9%) e a ausência de qualificação profissional adequada (15,6%).

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