Plantão Itabuna - A denúncia é sua, a missão é nossa: O decreto da liberalização da posse de arma de fogo é na verdade uma cortina de fumaça que camufla o dilema da violência no Brasil

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

O decreto da liberalização da posse de arma de fogo é na verdade uma cortina de fumaça que camufla o dilema da violência no Brasil


Por Roberto José*
O decreto da liberalização da posse de arma de fogo camufla o dilema da violência urbana no Brasil, uma vez que nos traz uma mensagem sublimar, mas numa declaração retumbante de que o governo está sendo absolutamente ineficaz nas ações de combate à violência, daí passa para população – que pode comprar uma arma de fogo num preço médio de três mil reais (a mais barata), incluindo a documentação – que faça ela mesma sua segurança, ou seja, um “salvem-se quem puder!”, ou “cada um por sí, pois é tempo de murici !”.
É inequívoco que a violência faz parte do cotidiano brasileiro, pois somos uma sociedade cruel e violenta e nos acostumamos com cenas de barbárie e com políticas públicas ineficientes. Assim, vejamos que em 2016, pela primeira vez na história, o número de homicídios no Brasil superou a casa dos 60 mil em um ano, segundo dados do Atlas da Violência de 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o número de 62.517 assassinatos cometidos no país em 2016 coloca o Brasil em um patamar 30 vezes maior do que o da Europa. Só na última década, 553 mil brasileiros perderam a vida por morte violenta. Ou seja, um total de 153 mortes por dia, o que equivale à queda de um Boieng 737 lotado diariamente.


Dessa forma, vejamos na figura cima a tendência de alta nas taxas dos Crimes Letais Intencionais contra a Vida, o que na metodologia do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), tem viés de alta, desde o ano 2006, chegando a vergonhosa taxa de 30,3 por cem mil habitantes, taxa bem acima dos países em guerra declarada, como a Siria e Iraque.
Nesse sentido, vejamos que a relação entre o número de armas de fogo e as mortes violentas, segundo o relatório, é clara. As cidades que mais tiveram aumentos nos homicídios totais também foram que sofreram com maior crescimento de óbitos causados por disparos, havendo um aumento claro de 27,4% de 2006 a 2016.

* Roberto José, é Geógrafo e Especialista em Planejamento de Cidades pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Especialista em Engenharia de Tráfego pela UNYLEYA – Brasília, é Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Graduando em Direito pela FTC Itabuna. Policial Civil do Estado da Bahia e tutor da Rede de Ensino à distância da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). É membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP.

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Um comentário:

  1. Se você tratasse as pessoas no seu trabalho como trata em período político talvez pudesse ajudar mais e diminuir a violência. Deveria ao menos respeitar o voto da maioria. Mais​ uma vez perdeu a oportunidade de ficar calado.

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