Plantão Itabuna - A denúncia é sua, a missão é nossa: Mais um lindo artigo da escritora Elilde Browning - "Ser Mulher"

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Mais um lindo artigo da escritora Elilde Browning - "Ser Mulher"

Registro quando a escritora retornou para Itabuna após 60 anos
Foto: Oziel Aragão

Somos
todas belas. Somos todas únicas e, ainda, providas de intuição e poder. O mundo
nos pertence! Tomemos posse dele.
Quando
alguém faz alguma coisa pela primeira vez é comum não primar pelos detalhes que
nas vezes seguintes são observados. A experiência faz o aprimoramento dos
feitos. Assim agiu Deus: primeiro pegou uma porção de barro amassou deu um
sopro e surgiu o homem. Depois, cuidadosamente, modelou o material com os
cuidados necessários para uma obra perfeita. Ainda colocou malícia, intuição e
formosura. E eis aí a mais deslumbrante criação da natureza- a mulher. 
Ser
mulher não é apenas isso. Há muitas outras situações que devemos observar para
garantir o nosso espaço diante do mundo. Somos alvos em potencial de um mundo
machista e cruel. O mais curioso é que todos nascem do ventre de uma mulher e,
até hoje no século 21, os homens ainda não se deram conta desse feito tão
importante. Pelo mundo afora há muitas opressões às mulheres e sempre somos
vistas como um ser inferior, menosprezado por eles que se sentem donos do
mundo. Eles não entendem que somos todos humanos e sujeitos a tudo nesta vida.
Muitos nos olham por cima dos ombros e têm um comportamento de superioridade
quando este deveria ser um relacionamento igualitário. 
O que vai
determinar a trajetória de uma mulher, nos seus mais amplos aspectos, são os
exemplos que ela teve na infância e na adolescência espelhados no viver diário
com a família e em especial com a sua genitora. Estes marcarão a sua vida para
sempre. Eis porque esse relacionamento é importante para a formação do caráter
e da personalidade de cada uma. Sentir-se amada, protegida e orientada como
sobreviver neste mundo são situações precípuas, para um caminhar confiante e
sem grandes atropelos.
 Volto
a minha memória a um comportamento que tive conhecimento quando fui secretária
geral de uma Universidade em São Paulo. Uma jovem de 18 anos havia sido
aprovada no vestibular da Faculdade de Odontologia. Os seus pais cheios de
contentamento levaram-na para fazer a matrícula naquele curso.  As aulas
iniciaram e esta estudante não apareceu. Passaram-se muitos dias e então
resolvi telefonar para os seus pais para saber a razão dela não ter
comparecido, até aquela data. A notícia que tive foi estarrecedora: o seu
namorado impediu-a de estudar e mantinha-a sobre o seu domínio ameaçando-a de
morte se ela o desobedecesse. Os seus pais, consternados, me fizeram este
relato. Ficamos sem argumentos e surpresos com aquela atitude de um homem
dominador e perigoso. Não tomei conhecimento do desfecho desse caso, mais,
certamente, pode não ter sido um dos mais felizes.
 Os
casos de estupros, humilhações, violência, desacatos e muitas outras ofensas às
mulheres são relatados diariamente. Como nos defender destas investidas? Se eu
tivesse uma resposta garanto que lhes falaria nesse momento. Mais não tenho. É
um assunto que merece um pensar de todas nós e, talvez, juntas pudéssemos
minorar esses acontecimentos tão trágicos com leis mais severas.
No meu
livro “Crônicas de um tempo infinito” há alguns relatos sobre estes assuntos
que vi, convivi e compartilhei. É deveras chocante viver em um mundo onde ainda
impera a lei do mais forte que imbuídos dos direitos que eles próprios criam
massacram e matam mulheres indefesas. 
Quando
professora por 22 anos de língua Portuguesa sempre no primeiro contato com uma
nova turma distribuía e líamos o famoso texto da Crônica de Paulo Mendes
Campos, escrita na década de 1960 que tem o título “Para Maria da Graça”. Todas
as mulheres do planeta deveriam ler esta página literária de suma importância.
Há uma realidade focada na mulher, que no caso era uma garota de 15 anos, nos
aspectos filosóficos, existenciais e dignos dos maiores elogios. Vinte anos
depois encontrei um ex-aluno e ele me relatou: “- Professora, a senhora se
lembra daquela crônica que naquele primeiro dia de aula foi lida em sala de
aula? – Sim, respondi. Eu guardei e dei de presente para a minha filha. Era a
crônica desse famoso escritor brasileiro- “Para Maria da Graça”. Com os
recursos da internet é possível ler esse texto que contém grandes lições de
vida e que embora já tenha mais de cinquenta anos esses escritos continuam valendo
para os dias atuais e os futuros.
No meu
entender e baseada em minhas experiências e no mundo que me cerca há quase 80
anos ser mulher é:
 Sentir-se
responsável pela sua própria vida; 
 Ter
o controle de sua mente, de seu coração e de suas ações;
Não viver
nunca, mais nunca mesmo sob as expensas de seu companheiro porque o macho que
sustenta exige o cumprimento de suas ordens e que nem sempre são condizentes
com as suas expectativas; 
Ter uma
intuição aguçada para identificar de imediato quando um relacionamento está se
tornando perigoso; 
Crer em
Deus e rezar muito para que Ele nos livre de situações que muitas vezes fogem
ao nosso controle; 
Ser
forte, corajosa e determinada e aceitar o desafio de enfrentar a fera quando
esta se tornar perigosa;
Não ter
medo de enfrentar o mundo sem um homem ao seu lado: “melhor só do que mal
acompanhada”;
Cercar-se
da família, dos amigos e de autoridades quando se sentir ameaçada;
Colocar
sempre a razão acima do coração. Mande os sentimentos dar uma voltinha pelo universo
e deixe-o que se perca por lá;
Ame-se e
tenha amor próprio. 
Não permita
que ninguém destrua sua autoestima.
Convido-a
ler o meu livro “E assim foi a vida” onde você encontrará a trajetória de uma
menina pobre, órfã de pai e de uma família de 12 irmãos, abandonada pelo marido
ainda na gravidez e que em um determinado momento impôs a si mesma, a
determinação de enganar esse destino, que se descortinava sombrio e sem
perspectivas. Ela venceu todos os desafios e percalços que a vida lhe entregou.
Saiu-se vitoriosa em todas as batalhas. Você vai se surpreender com muitas
atitudes tomadas por ela em não se afastar dos valores pessoais: trabalho,
dignidade, progresso profissional e ética.
Lenira a
personagem desse romance realizou todos os seus sonhos inclusive aqueles que
nem lhe eram dados o direito de sonhar. Descubra, ainda, a poderosa força da
mente e os meandros para vencer as dificuldades da vida.
Oscar
Wilde escreveu um dia em um momento de muita inspiração: “Amar a si mesmo é o
começo de um romance que vai durar a vida inteira”.
Elilde
Browning

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